Ei, que não me peçam para falar de ti ou te descrever. Não sei o que queres para ti, o que anseias ou receias. Se tento, olham para mim como se estivesse a interpretar uma daquelas personagens de filmes cómicos. Não existes. Consegues fazer com que te odeie e te queira comigo sempre ao mesmo tempo. Mas aquele querer de querer, do sempre para sempre. Aí receio. Sabes que pensar que o sempre não existe e que algum dia irei ter de abdicar de ti por escolhas ou por simples e naturais etapas da vida trespassa-me a alma. És incrivelmente irritante e ninguém calcula, nem mesmo tu, as vezes que sou obrigada a respirar fundo por tua causa, assim como também ninguém imaginas quantas vezes perdi o folgo em gargalhadas graças a ti. Faz-me bem ter-te comigo. Blá blá blá, não deixes de ser assim 'tá? Descontrolado, forte e aparvalhado porque só quem consegue ver além disso, descobre aquilo que és.