Eu vejo no teu olhar o meu olhar. Um olhar vazio, um lugar que quer ser ocupado, mas sem ocupação possível. Claro que vejo, desde aquele espaço de tempo em que nos cruzamos fugindo as gotas de chuva que iam caindo, mas sem as sentirmos. Sempre vi a falta que te ocupa o pensamento, tão idêntica a minha. E sei, que viste o mesmo que eu, e sentis-te o mesmo que eu. Sei o medo que sentes e o traço que fizeste. Sei o quanto o queres seguir, sem borratar o desenho. Não te foques demasiado nele. É altura de te dedicares a um novo esboço e tu, sem saberes como, vais faze-lo tão perfeitamente, que haveremos de ver, aquele lugar, bem no centro do olhar, ocupado por nos mesmos no olhar um do outro.