Intuitivamente, o tiro lançado dá inicio ao começo da restante corrida da vida, onde corro, deixando as minhas pegadas desenhadas na areia. Olhando para trás, com os cabelos diante do rosto e a respiração ofegante vejo-as, uma a uma, serem apagadas cada vez que a maré sobe, ou o vento sopra, fazendo-as desfigurar. Prometo a mim mesma, jamais as observar, jamais analisar a sua forma e profundidade, jamais as ter. Ficaram presas em minha mente, durante muito tempo, demasiado tempo, era altura de partirem. Sacudindo os cabelos e igualmente as ideias deposito toda a minha atenção no percurso que tenho pela frente. Não paro de correr, não posso perder mais tempo, a mínima fração de segundo que seja, e devo confessar que a raiva dá-me uma certa força. Foco o meu horizonte assim como os meus objetivos acabados de remodelar. Comparo cada reconstrução, e cada falha, e cada retoque. Sinto os membros me falharem, querendo se dar por derrotados, mas não vacilo. Não agora. Neste momento, só presto atenção ao caminho que irei pisar, para não voltar, a dar razão os meus desgastados membros, e dar memorias tão minhas as simples brisas e ondas do mar.